O perdão é uma importante ferramenta de cura e libertação, mas pode ser bem mais profundo…

O perdão é uma importante ferramenta de cura e libertação, mas pode ser bem mais profundo…
Poucas palavras parecem tão bonitas quanto “perdão”.
Ela carrega uma imagem quase automática de elevação, maturidade, fé, bondade e libertação. Por isso, muita gente repete que precisa perdoar antes mesmo de entender o que realmente está acontecendo dentro de si.
O problema é que o tema do perdão costuma ser tratado de forma moral, religiosa ou comportamental, quando muitas vezes o que está em jogo é uma questão emocional profunda.
E aqui entra a tese central desse artigo: o problema não está apenas no que aconteceu com você, mas na forma como isso foi estruturado emocionalmente dentro de você.
Para organizar bem o raciocínio, vale olhar primeiro para o conceito mais comum de perdão.
Dentro da tradição cristã, o perdão costuma ser apresentado como um valor central. Jesus associa o perdão à misericórdia, à reconciliação e à libertação do ressentimento. Em vários trechos bíblicos, a ideia aparece como uma orientação espiritual forte.
Por exemplo, no Pai Nosso, aparece a lógica: perdoa as nossas ofensas assim como nós perdoamos. Em outros momentos, Jesus ensina a perdoar “setenta vezes sete”, uma forma de dizer que o perdão não deveria ser contado como um favor raro, mas entendido como disposição interna contínua.
Na prática religiosa, isso normalmente é ensinado assim:
Até aqui, a intenção espiritual é nobre: não deixar a alma aprisionada pelo ódio.
No espiritismo de Allan Kardec, o perdão também aparece ligado à ideia de evolução moral do espírito. A lógica é a de que guardar ressentimento prende a pessoa vibracionalmente e a mantém ligada a dores, provas e conflitos que atrasam seu processo de crescimento.
Dentro dessa visão, perdoar é:
Em resumo, tanto no evangelho de Jesus quanto no espiritismo kardecista, o perdão costuma ser entendido como algo espiritualmente superior ao ressentimento.
E é exatamente por isso que tanta gente tenta perdoar rápido.
Aqui começa o ponto delicado.
Uma coisa é a intenção espiritual por trás do perdão. Outra coisa é a maneira como isso é vivido emocionalmente por pessoas comuns, feridas, confusas e cheias de dor.
Na prática, o que muita gente faz não é perdão.
É repressão emocional com nome bonito.
A pessoa escuta que precisa perdoar. Então ela conclui:
E aí ela declara que perdoou, mas não porque compreendeu. Declara porque quer se sentir correta, elevada ou aceita dentro de um ideal espiritual.
Esse é o ponto em que eu ensino a importância de se desconectar da ideia do perdão como algo para elevar você, de fora para dentro.
Tudo porque, o perdão tem outra interpretação num outro ambiente. E esse ambiente não é o que está fora, no mundo externo, é o ambiente dos seus instintos, pensamentos e emoções totalmente ocultos, no nível do inconsciente.
E não saber lidar com o perdão no nível do que acontece muito fundo em você, significa abrir margens para que o perdão não seja libertador, mas sim um aprisionamento emocional inconsciente que vai gerar sintomas negativos em toda a sua vida.
Quando o perdão dado alcançou esse estado tóxico interno, no seu campo emocional, ele se torna uma desordem emocional.
Antes de falar do perdão em si, é importante entender o que são desordens emocionais: o que você vive hoje e chama de problema está estruturado em cima de emoções distorcidas guardadas e não tratadas, chamadas de desordens emocionais.
Uma emoção ou sentimento sentido pode liberar uma sequência de outros sentimentos, ideias, pensamentos e percepções. Esse efeito em cadeia alimenta um sistema oculto que fica sólido, se enraiza e enrijece emocionalmente as pessoas.
Portanto, uma desordem emocional não é uma emoção ferida, mas sim a complexa rede que essa emoção gerou ao seu entorno.
Essas desordens emocionais são estruturas internas que engatilham e sustentam:
Ou seja, o foco não está só no fato externo. Está na estrutura emocional que faz você viver, interpretar e repetir esse tipo de experiência.
E isso muda completamente a conversa sobre perdão.
Existe uma diferença entre:
No plano físico, fatos são fatos.
Se alguém traiu, roubou, agrediu, mentiu, quebrou um contrato ou ultrapassou um limite, isso precisa ser tratado no campo material, com ações concretas.
Então:
No plano físico, a pergunta é:
O que aconteceu e o que cabe fazer?
No plano emocional, a pergunta é outra:
Por que atrai essa situação? O que isso despertou em mim, por que despertou, e o que eu vou fazer com o que senti?
Essa separação é decisiva.
Porque muita gente mistura tudo e acha que resolver fisicamente o fato já resolveu o emocional.
Ou, ao contrário, tenta espiritualizar o problema e pula a parte abstrata que molda a vida: a ligação energética que você tinha com a injustiça recebida e o reforço que essa injustiça faz no seu sistema de crenças.
Isso é o que eu chamo de “O poder é meu”. Significa que o poder de se desconectar dessa frequência de injustiça x perdão, é toda sua.
Se você não estivesse compatível com a energia, tal fato injusto não teria se conectado com você.
Quando você acredita que o outro tem o poder de determinar como você se sente, você entrega o seu poder a ele.
Quando uma injustiça acontece e o outro faz você se sentir roubado, caluniado ou invadido, é o momento de inverter o ponto de partida do problema: não foi o outro quem fez, mas sim uma informação no seu campo que se conecta com o que o outro está predisposto a fazer.
Limpe essa codificação emocional que está no seu campo, e então não precisará mais sofrer a injustiça, e por consequência, não precisará perdoar.
Quando você não é consciente da sua predisposição energética em atrair o problema para que você tenha a necessidade de perdoar, é como se você dissesse:
Por que aceitar uma estrutura que te tira do centro do teu próprio mundo emocional?
A pessoa acredita que precisa perdoar. Então faz o seguinte:
Isso não faz a dor desaparecer.
Isso faz a dor virar sombra.
E o que é essa sombra?
É emoção viva que foi reprimida e continua pedindo expressão. Depois ela transborda em lugares aparentemente desconectados:
Então, do ponto de vista do emaranhado emocional que vem após uma emoção não resolvida, o perdão mal executado pode se transformar em mais uma desordem emocional.
Não porque perdoar seja ruim em essência, mas porque usar o perdão para tampar a própria ferida é emocionalmente desastroso.
Primeiro: reconheça a emoção que vem quando existe uma necessidade interna sua de perdoar.
Se existe raiva, indignação, ódio, dor, isso precisa ser visto. Não negado.
Segundo: dar destino a essa energia, em vez de espiritualizar a repressão.
Coloque isso para fora, permitir que a emoção exista, e não finja que ela sumiu só porque você decidiu “ser boazinha”.
Terceiro: fazer a jornada interna de resgate do poder.
Aqui entra um movimento central:
Se pergunte:
o que existe em mim que se conectou a essa experiência?
Essa pergunta é o início do aprofundamento terapêutico.
O caos da sua vida não é criado só pelas situações externas, mas pelas desordens emocionais que estão estruturadas dentro de você, muito tempo antes de qualquer fato ou problema lhe acontecer, seu campo emocional estava reverberando para que situações compatíveis viessem até você.
Dentro dessas desordens vivem:
Por isso a forma de perceber a vida fica distorcida. Você enxerga as pessoas, os acontecimentos e a si mesma por um filtro emocional desorganizado.
E aí continua tentando resolver tudo com recursos externos, rituais, fórmulas, falas bonitas e pensamento positivo, enquanto a base continua doente. A live é direta nisso: não adianta buscar mil caminhos externos se o emocional continua sem tratamento.
A cura começa quando você para de usar conceitos espirituais para se violentar por dentro e começa a compreender com honestidade o que sente.
Este é o Artigo 02.
Artigo 03 — Desordens Emocionais: emoções emaranhadas e em caos
Artigo 08 — Você quer amor, mas o seu campo emocional quer outro tipo de troca
Artigo 15 — Você entrega além do que deveria? Pode ser culpa dos acordos emocionais inconscientes que você fez
O perdão, nas tradições religiosas e espirituais, costuma ser apresentado como um caminho de libertação. E isso, em nível de princípio, tem valor.
Mas a grande questão é: o que você chamou de perdão foi compreensão real ou se tornou dor reprimida?
Porque, se você apenas abafou a própria raiva para parecer espiritualmente correta, então não houve libertação. Houve silenciamento.
Reorganize sua interpretação sobre isso:
É aí que a cura começa.
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Terapeuta especializada em desordens emocionais e campo emocional inconsciente.
Descubra neste blog como pode estar o seu banner energético e como está o seu verdadeiro poder de co-criação.
É através das limpeza das emoções traumáticas e inconscientes que você descobre o seu verdadeiro PODER PESSOAL. Siga o perfil.
Especialista em recriar emoções e crenças internas. Já transformou a autoestima de milhares de mulheres. Realiza atendimento terapêutico pessoal, em grupos e em empresas.
Paula Correía
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